• Por Bruno Santos

#Resumão Confina Brasil - Reposição escassa e alta dos insumos deixam confinadores cautelosos

Entre as fazendas visitadas em SP, MS e MT, os pecuaristas estão animados com o preço da venda, porém assustados com a falta de boi magro no mercado.



Os pecuaristas brasileiros vivem no campo um momento de dilema. Enquanto o entusiasmo é grande por conta da arroba atingindo patamares históricos, em algumas praças passando até de R$ 260,00, por outro lado, é visível a preocupação quanto à reposição e alta dos insumos. Este foi o cenário que observamos até agora.


percorremos quase 10 mil quilômetros de muito asfalto e estrada de chão, conhecendo a verdadeira realidade de produtores de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Até o momento visitamos 67 confinamentos que, juntos, somam uma capacidade estática superior a 570 mil bois.



Ao longo das visitas em Mato Grosso do Sul identificamos que os produtores têm mais oportunidade de oferta de matéria-prima, ou seja, boi magro. Com isso, os confinamentos na região têm grande potencial de crescimento.


Entretanto, essa realidade já muda em SP e MT, com a escassez de animais para a reposição. Muitos dos produtores entrevistados estão assustados. Os mato-grossenses, por exemplo, além da dificuldade de achar boi magro, os que encontram, estão muito mais caro que o planejado para este ano.


Dieta comprometida


Com relação à nutrição dos animais confinados, identificamos duas importantes diferenças. Devido à maior disponibilidade de milho, a maioria dos confinamentos de MS utilizam o cereal na dieta. Também vimos no estado, muitos confinadores utilizando soja e o caroço de algodão na alimentação da boiada.


Já em SP a dieta é caracterizada pela influência das indústrias regionais, pois os produtores paulistas usam os coprodutos das fábricas que têm maior disponibilidade, como por exemplo, a polpa cítrica e o melaço de cana. Observamos também a utilização predominante do bagaço e silagem de cana-de-açúcar como volumoso.



Além disso, vimos outro desafio: a alta nos preços dos insumos, realidade também evidenciada em MT com forte valorização dos grãos. Muitos confinadores afirmaram que devido a essa dificuldade, boa parte dos animais terminados estão tendo até quatro dietas diferentes em 100 dias de confinamento.


Por conta dos altos valores e, principalmente, da falta de disponibilidade de insumos, o produtor tem que ir substituindo pelas ofertas de insumos disponíveis, reformulando as dietas com outros concentrados e isso acaba prejudicando o desempenho final dos animais.

A expedição continua


Continuamos a fazer o mapeamento em Mato Grosso e depois seguimos para Goiás e Minas Gerais. #issoéconfinabrasil

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